Por: Viviane Massi

Em março, a ABCFARMA anunciou seu novo presidente executivo, o advogado Rafael Oliveira Espinhel. Ele assume com o desafio de dar especial atenção à gestão administrativa e financeira da entidade, aplicando medidas e ações em busca de sua recuperação econômica.

Rafael – todos costumam chamá-lo assim, pelo primeiro nome – atuava em Taboão da Serra, em 2014, quando recebeu o convite para responder pelo jurídico da ABCFARMA. Com o passar dos anos, foi ampliando sua atuação, chegando a responder pela parte de relações governamentais. “Essa atuação possibilitou uma visão mais ampla sobre o setor, especialmente sobre os principais aspectos técnicos, comerciais e regulatórios voltados para o varejo farmacêutico”, comenta ele.

A atuação de Rafael trouxe visibilidade a nível nacional e ele passou a atuar como consultor jurídico de entidades regionais do varejo farmacêutico de São Paulo, Amazonas e Sergipe. Em 2020, ao lado dos advogados André Bedran e Magno Nascimento, formou uma banca especializada na área jurídica farmacêutica e regulatória. Atualmente, além de presidente executivo da ABCFARMA, é membro efetivo da Comissão de Direito Sanitário da OAB/SP, com especialização em Direito Corporativo e Compliance.

Nesta entrevista concedida com exclusividade para a Revista da Farmácia, o novo presidente executivo da ABCFARMA fala sobre os desafios da entidade, pandemia, tecnologia, ameaças e oportunidades para o varejo farmacêutico.

Você assumiu a presidência executiva num momento delicado da ABCFARMA. Que momento é esse?

Rafael Oliveira Espinhel: Um momento de especial atenção na gestão administrativa e financeira da entidade, por meio da aplicação de medidas e ações para recuperação econômica. Como efeito, já tivemos, em março de 2021, um resultado positivo, com um superávit, representando um aumento de faturamento comparado aos meses anteriores na ordem de 40%, com a perspectiva de um incremento desse percentual em abril. Ainda há muito a ser realizado, mas os indicadores desse primeiro mês demonstram que estamos no caminho correto.

Quais serão seus maiores desafios?

Somos uma entidade heterogênea na composição, ou seja, nossa base é formada por farmácias independentes, grandes e médias redes, além de farmácias que atuam no modelo de associativismo, com representação em todos os estados da Federação. Isso faz com que a ABCFARMA seja uma referência perante os órgãos governamentais, atuando ativamente nas principais discussões, como, por exemplo, o Programa Farmácia Popular, a Rastreabilidade e a Logística Reversa de Medicamentos, o Marco Regulatório das Prescrições Médicas Eletrônicas, o Modelo de Tributação dos Medicamentos, entre outros assuntos que impactam a atividade empresarial.

Todavia, isso impõe uma grande responsabilidade. Fortalecer algo tão consolidado historicamente é fundamental e, na minha concepção, o grande desafio na condução da entidade. Além disso, nos deparamos com a necessidade de incorporar na atividade da entidade uma cultura de inovação organizacional, de maneira a conquistar novos associados e acompanhar as mudanças advindas no setor, especialmente em razão dos avanços tecnológicos.

Quais são os ajustes e as mudanças que serão realizados na sua gestão?

Pessoalmente, acredito muito no modelo de gestão participativa, que valoriza a troca de experiências entre os funcionários, colaboradores e diretores.  O primeiro passo, portanto, é a mudança de cultura organizacional da ABCFARMA, buscando enxergar todas as pessoas como atores fundamentais no desenvolvimento e crescimento da entidade.

Priorizar ações no aprimoramento dos processos internos da entidade e especialmente em tecnologia são fundamentais para impulsionar a representatividade da ABCFARMA. Por isso, vamos aprimorar produtos e serviços, podendo destacar o arquivo eletrônico de preços de medicamentos da ABCFARMA, que é uma referência regulatória e tributária para o segmento farmacêutico.

É preciso ainda fortalecer a relação da ABCFARMA com as demais entidades do setor farmacêutico, por meio de trabalhos e projetos mútuos, e com atores da cadeia farmacêutica, buscando novas parcerias com laboratórios e distribuidores, a fim de propiciar negócios e benefícios aos nossos associados.

Por fim, vale mencionar que estruturamos grupos técnicos, voltados para discussão de assuntos regulatórios, farmacêuticos e jurídicos. A participação dos associados nos permite ser mais assertivos na definição das estratégias e na priorização das ações da entidade.

É preciso ainda fortalecer a relação da ABCFARMA com as demais entidades do setor farmacêutico, por meio de trabalhos e projetos mútuos, e com atores da cadeia farmacêutica, buscando novas parcerias com laboratórios e distribuidores, a fim de propiciar negócios e benefícios aos nossos associados.

Como a ABCFARMA pode se modernizar para atender às novas demandas dos associados e do mercado?

A pergunta, ao meu sentir, está associada à forma como a transformação digital impactou os modelos de negócios, inclusive sobre a maneira de atuar das associações. No varejo farmacêutico, vemos diversas farmácias que não apenas expandiram suas operações para o e-commerce, como também passaram a adotar uma postura mais omnichannel.

E isso certamente também deve ser objeto de aplicação pela ABCFARMA, de modo a melhor se relacionar com seus associados, que, assim como a grande parte das pessoas, mudou sua forma de interagir e se comunicar. Na transformação digital, o que mudam são as formas de consumo e não as demandas. Partindo dessa premissa, temos como foco aprimorar nossos produtos e serviços, tornando-os mais digitais.

Um dos trabalhos já implementados é a transformação da revista da ABCFARMA para um modelo não apenas digital, mas também interativo. Queremos que a revista não seja apenas uma leitura informativa, mas uma experiência para o associado, por meio de vídeos, áudios, links, entre outros recursos.

Quais são as principais ameaças ao varejo farmacêutico?

O País aguarda as reformas tributária e administrativa e a aprovação de leis que podem ser determinantes na recuperação econômica e propiciar uma agenda de retomada de investimentos, afetadas especialmente em razão da pandemia. Para o varejo farmacêutico, a ausência de tais reformas potencializada pelas consequências advindas da pandemia ocasionada pela Covid-19 são, de fato, ameaças.

Os potenciais efeitos prolongados de crescimento da taxa de desemprego e perda do poder aquisitivo do brasileiro podem frustrar os planos de uma taxa de crescimento do setor varejista farmacêutico, já que mesmo um segmento tão resiliente como o nosso dificilmente resistiria a uma recessão econômica.

Ainda há a preocupação das consequências da pandemia e dos seus reflexos na normalidade da produção dos medicamentos, haja vista o risco da escassez de matérias-primas, insumos e embalagens, que certamente afetarão o setor farmacêutico.

 E as oportunidades?

Por outro lado, vejo cenários positivos a depender da estratégia e do modelo de negócio que a farmácia tenha e do perfil dos seus consumidores. A prestação de serviços farmacêuticos, com o aumento substancial de farmácias implementando salas de atendimento farmacêutico, especialmente nos últimos anos, mostrou-se uma tendência.

Ainda tivemos, em razão da pandemia, uma aceleração no movimento de digitalização das farmácias, com o aumento de canais online para facilitação das compras, a implementação de novos modelos de relacionamento, como o D2C (Direct-to-consumer) e a implementação de novas formas de pagamento, a exemplo do PIX.

Outro ponto percebido é que com a pandemia ficou ainda mais evidente a importância de nortear as estratégias de negócios em dados e informações de mercado. O conhecimento sobre a atividade e os clientes, com indicadores dinâmicos, certamente torna a tomada de decisões pelo empresário mais acertada. Ou seja, as oportunidades passam em sua grande parte na imprescindibilidade da farmácia em adequar suas atividades às oportunidades e ferramentas tecnológicas.

O conhecimento sobre a atividade e os clientes, com indicadores dinâmicos, certamente torna a tomada de decisões pelo empresário mais acertada. Ou seja, as oportunidades passam em sua grande parte na imprescindibilidade da farmácia em adequar suas atividades às oportunidades e ferramentas tecnológicas.

Quais as estratégias de parceria da ABCFARMA com as entidades regionais?

Esse ponto considero de extrema importância. A ABCFARMA é uma entidade de âmbito nacional, pautando suas ações e atividades governamentais e institucionais perante órgãos federais. É fundamental fortalecer as parcerias com as entidades regionais apoiando suas ações e trabalhos em seus respectivos estados.

A Ascoferj, por meio do seu presidente, Luis Carlos Marins, é um exemplo de referência na atuação e representação regional. Acredito que o trabalho das entidades são complementares e fortalecem não apenas os associados, mas todo o segmento.

Estabelecemos condições diferenciadas de valores de contribuição associativa para os associados de entidades parceiras da ABCFARMA, bem como a extensão de trabalhos jurídicos e institucionais em conjunto.

Ainda entendemos ser importante criarmos produtos e benefícios que sejam compartilhados entre as entidades, de modo a incrementar as oportunidades, a capacitação e as condições de negócios para os associados.

Entrevista reproduzida do site Revista da Farmácia

 

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